Traduzindo sons em palavras nas legendas para surdos e ensurdecidos: uma abordagem com linguística de corpus

Autores

  • Ana Katarinna Pessoa Nascimento Universidade de São Paulo

Palavras-chave:

Linguística de corpus. Convencionalidade. Tradução audiovisual.

Resumo

Um filme é um texto multissemiótico que combina e gera sistemas semióticos, que por sua vez, geram significação para compor o todo, criando significados (BALDRY; THIBAULT, 2002). Ler um texto audiovisual é uma tarefa complexa, pois é preciso ser espectador, ouvinte e leitor ao mesmo tempo, com diversos canais de informação para decodificar (NEVES, 2005). Dessa forma, o público surdo e ensurdecido, sem o auxílio da legenda ou janela de LIBRAS pode ficar sem alguma informação necessária para o entendimento da trama fílmica. Nesse trabalho, abordaremos a legendagem para surdos e ensurdecidos (LSE) e em especial, a tradução de efeitos sonoros. O objetivo é encontrar convencionalidade na tradução de efeitos sonoros nas legendas para surdos e ensurdecidos. Pretende-se auxiliar não apenas o legendista, mas também o espectador surdo que poderá ler e identificar o som mais facilmente, melhorando seu tempo de leitura, o que é importante em um gênero como a legendagem. Para tanto, buscamos a linguística de corpus como metodologia. Assim, foi montado um corpus piloto com 15 filmes. Um estudo preliminar realizado com uma das categorias (som de objeto) mostrou que a metodologia utilizada é eficaz para o estudo pretendido, pois foi possível estabelecer algumas diretrizes em relação ao som causado por objeto. Tais como: privilegiar sons que interajam com os personagens em tela e dar preferência à tradução por meio de orações que possuam uma ideia completa, de modo que se saiba qual a origem e o tipo de ruído que se está traduzindo. Como, por exemplo, “porta bate”, pois indica a fonte do ruído: a porta – e o som produzido: a ação de bater.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Ana Katarinna Pessoa Nascimento, Universidade de São Paulo

Graduada em Letras/Francês pela Universidade Estadual do Ceará, Mestre em Linguística Aplicada também pela UECE e doutoranda em Estudos da Tradução pela Universidade de São Paulo.

Referências

BRASIL. Lei nº13.146, de 6 de julho de 2015. Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência). Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13146.htm. Acessado em: 04 de fevereiro de 2016.

BRASIL. Ministério das Comunicações. Aprova a Norma nº 001/2006 – Recursos de acessibilidade, para pessoas com deficiência, na programação veiculada nos serviços de radiodifusão de sons e imagens e de retransmissão de televisão. Portaria n.310 de 27 de junho de 2006. Disponível em: http://www.mc.gov.br/portarias/24680-portaria-n-310-de-27-de-junho-de-2006. Acesso em 14 de agosto de 2012.

ARAÚJO, V. L. S. (2004). Closed subtitling in Brazil In: Orero, P. (org.). Topics in Audiovisual translation. Amsterdã: John Benjamins Publishing Company, v. 1, p. 199-212.

ARAÚJO, V. L. S. (2008). Por um modelo de legendagem para Surdos no Brasil. In Veras, V. (org.). Tradução e Comunicação, Revista Brasileira de Tradutores, São Paulo: UNBERO, n. 17, p. 59–76.

ARAÚJO, V. L. S. (2005). A legendagem para surdos no Brasil. In: LIMA, P. L.C.; ARAÚJO, A. D. (orgs.). Questões de Linguística Aplicada: Miscelânea. Fortaleza: EdUECE, p. 163-188.

ARAÚJO, V. L. S. (2007). Subtitling for the deaf and hard-of-hearing in Brazil In: ORERO, P.; REMAEL, A. (orgs.). Media for All: Subtitling for the Deaf, Audio Description and Sign Language. Kenilworth: Nova Jersey, EUA: Rodopi, v. 30, p. 99-107.

ARAÚJO, V. L. S.; VIEIRA, P.A.; MONTEIRO, S.M.M. (2013). Legendagem para surdos e ensurdecidos (LSE): Um estudo de recepção com surdos da região Sudeste. In: TradTerm, v. 22, p. 283-302.

ARAÚJO, V. L. S.; NASCIMENTO, A. K. P. (2011). Investigando parâmetros de legendas para surdos e Ensurdecidos no Brasil. In: FROTA, M. P.; MARTINS, M. A. P. (orgs.). Tradução em Revista, v. 2, p. 1-18.

BALDRY, A; THIBAULT, P. (2006) Multimodal Transcription and Text Analysis, London and New York: Equinox.

BORDWELL, D; THOMPSON, K. (2008). Film art: an introduction. New York: McGraw Hills.

CHION, M. (2008). A audiovisão: som e imagem no cinema. Lisboa: Edições texto & grafia. DÍAZ CINTAS, J; REMAEL, A. (2007). Audiovisual Translation: Subtitling. Manchester: St.Jerome Publishing.

DIU, N. Un métier à découvir: adaptateur de programmes télévisés pour les sourds et malentendants. Disponível em: http://www.semainedusoustitrage.org/IMG/pdf/Un_metiers_a_decouvrir.pdf. Acessado em: 14 de outubro de 2013.

FRANCO, E.P.C.; ARAÚJO, V. L. S. (2003). Reading Television: Checking Deaf People’s Reactions to Closed Subtitling in Fortaleza, Brazil. In: GAMBIER, Y. (org.). The Translator, v. 09, n. 2, pp. 249-267.

FRANCO, E.P.C.; ARAÚJO, V.L.S. (2011). Questões terminológico-conceituais no campo da tradução audiovisual (TAV). In: In: FROTA, M. P.; MARTINS, M. A. P. (orgs.). Tradução em Revista, v.1. pp.2-23.

GOLDBERG, A. (2006). Constructions at work: The nature of generalization in language. Oxford: Oxford University Press.

NASCIMENTO, A. K. P. (2013). Linguística de corpus e legendagem para surdos e ensurdecidos (LSE): uma análise baseada em corpus da tradução de efeitos sonoros na legendagem de filmes brasileiros em DVD. 2013. 109f. Dissertação (Mestrado em Linguística Aplicada) – Pós-Graduação em Linguística Aplicada, Universidade Estadual do Ceará, Fortaleza.

NASCIMENTO, A.K.P.N; SEOANE.A.F. (2012). Efeitos sonoros nas Legendas para Surdos e Ensurdecidos. In: XII Encontro de Pós-Graduação e Pesquisa. Universidade de Fortaleza.

NEVES, J. (2005). Audiovisual translation: subtitling for the deaf and hard of hearing. Tese (Doutorado). Universidade de Surrey Roehampton, Inglaterra. Disponível em: http://rrp.roehampton.ac.uk/artstheses/1. Acesso em 15 de janeiro de 2012.

NEVES, J. (2010). Music to my eyes… Conveying music in subtitle for the deaf and hard of hearing. In: BOGUCKI, L.; KREDENS, K. Perspectives in Audiovisual Translation. Frankfurt: Peter Lang GmbH.

ORERO, P. (2004). Audiovisual translation: A new dynamic umbrella. In: ORERO, P. (org.). Topics in Audiovisual translation. Amsterdã: John Benjamins Publishing Company.

TAGNIN, S.E.O. (2011). Lingística de corpus e fraseologia: uma feita para a outra. In: ALVAREZ, M.L.O.; UNTERBÄUMEN, E.N. (orgs.). Uma (re)visão da teoria e da pesquisa fraseológicas. Campinas, São Paulo: Pontes Editores.

TAGNIN, S.E.O. (2013). O jeito que a gente diz: combinações consagradas em inglês e português. Barueri, São Paulo: Disal Editora.

TOMASELLO, M. (2003). Constructing a language: A usage-based theory of language acquisition. Cambridge & London: Harvard University Press.

WOOD, D. (2015). Fundamentals of Formulaic Language: an introduction. Londres: Bloomsbury.

XATARA, C.M.; RIOS, T.H.C. (2007). O estudo contrastivo dos idiomatismos: Aspectos Teóricos. In: SIMÕES, D. Caderno Seminal, ano 13, vol.7. Rio de Janeiro: Dialogarts.

Downloads

Publicado

2017-10-20

Como Citar

NASCIMENTO, A. K. P. Traduzindo sons em palavras nas legendas para surdos e ensurdecidos: uma abordagem com linguística de corpus. Trabalhos em Linguística Aplicada, Campinas, SP, v. 56, n. 2, p. 561–587, 2017. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/tla/article/view/8649221. Acesso em: 7 out. 2022.

Edição

Seção

Dossier Research practices in literacies across languages and social domains