O processo de negociação e o alcance da completude monológica em debate eleitoral

Autores

Palavras-chave:

Processo de negociação, Completude monológica, Debate eleitoral

Resumo

Neste trabalho, estudam-se as restrições impostas por uma propriedade contextual do gênero debate eleitoral (a saber, a reciprocidade parcial e controlada entre os interlocutores) sobre a tarefa dos candidatos de produzirem intervenções que possam ser avaliadas como completas. Adotando como arcabouço teórico a abordagem genebrina de análise do discurso (ou Escola de Genebra) e analisando o último debate eleitoral da campanha presidencial de 2014, debate cujos adversários foram Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB), obtivemos os seguintes resultados: i) ao elaborarem perguntas, os candidatos as antecipam por uma intervenção preparatória funcional e estruturalmente complexa; ii) os candidatos elaboram as intervenções reativas (respostas, réplicas e tréplicas) por etapas que se ligam a informações oriundas da intervenção previamente produzida pelo adversário e/ou por integrante da plateia (eleitor) convidado a perguntar; iii) na construção de cada intervenção reativa, os candidatos podem ou coordenar essas mesmas etapas, ou as articular por subordinação; iv) em cada uma dessas etapas, os candidatos empregam segmentos de discurso que representam tanto a fala do adversário, quanto a fala do integrante da plateia convidado a perguntar.

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Biografia do Autor

Gustavo Ximenes Cunha, Universidade Federal de Minas Gerais

Doutor em Linguística. Professor da Faculdade de Letras e do Programa de Pós-Graduação em Estudos Linguísticos da UFMG.

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Publicado

2021-05-21

Como Citar

CUNHA, G. X. O processo de negociação e o alcance da completude monológica em debate eleitoral. Trabalhos em Linguística Aplicada, Campinas, SP, v. 60, n. 1, p. 155–170, 2021. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/tla/article/view/8656932. Acesso em: 18 set. 2021.