Meme é gênero?

questionamentos sobre o estatuto genérico do meme

Autores

Palavras-chave:

Meme, Gênero, Remix

Resumo

Nos últimos anos, tem-se assumido academicamente o pressuposto de que os memes publicizados no Facebook e em outros sites de redes sociais (SRS) são gêneros textuais/ discursivos (cf. PASSOS, 2012; WIGGINS; BOWERS, 2014; SILVA, 2016; GUERRA, BOTTA, 2018), tese defendida à luz de diferentes critérios e de distintas teorias de gêneros. O objetivo deste trabalho é discutir o estatuto genérico dos memes em sites de redes sociais. Para atender ao objetivo, baseio-me em Bakhtin (2009; 2011) e em Miller (1984 [2009]) para a discussão do conceito de gênero; e em Dawkins (2010), Blackmore (2000), Knobel e Lankshear (2005; 2007) e Cavalcante e Oliveira (2019), que discutem sobre a natureza do meme. Metodologicamente, analiso sete enunciados reconhecidos socialmente como memes, que foram publicados no Facebook nos últimos cinco anos. Os critérios para tal foram a viralização e os traços de remixabilidade em sua constituição. Os resultados sugerem que, sob o rótulo de meme, na verdade, estão gêneros diversos, como anúncios publicitários e institucionais, tiras cômicas e tiras cômicas seriadas, críticas, lembretes e mensagens motivacionais, o que leva a questionar o estatuto genérico do que se reconhece sociocognitivamente como meme.

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Biografia do Autor

Vicente Lima-Neto, Universidade Federal Rural do Semi-Árido

Doutorado em Linguística pela Universidade Federal do Ceará. Professor Adjunto II da Universidade Federal Rural do Semi-Árido, Brasil.

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Publicado

2021-03-09

Como Citar

LIMA-NETO, V. Meme é gênero? : questionamentos sobre o estatuto genérico do meme. Trabalhos em Linguística Aplicada, Campinas, SP, v. 59, n. 3, p. 2246–2277, 2021. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/tla/article/view/8659859. Acesso em: 5 dez. 2021.

Edição

Seção

Artigos