“Mas isso é porque as pessoas não sabem o que é o pole dance”

contribuições da avaliação para a análise discursiva de estigmas

Autores

Palavras-chave:

Avaliação, Estigmas, Pole dance

Resumo

Neste artigo, investigamos uma interação entre praticantes do pole dance, com foco na reação e na resistência relacionadas à recorrente construção de estigmas sobre a atividade. Inserida na área da Linguística Aplicada Contemporânea, a pesquisa volta-se à observação dos mecanismos discursivos avaliativos negociados pelas interlocutoras e às contribuições destes para a ressignificação da atividade que praticam. A análise microdiscursiva fundamenta-se no sistema de avaliatividade, integrante da Linguística Sistêmico-Funcional, quando percebemos quais estigmas são problematizados nos discursos das participantes, a partir de avaliações realizadas, principalmente, nas esferas do afeto e do julgamento. O paradigma qualitativo orienta a metodologia do estudo, com o corpus gerado pela gravação de uma conversa entre a primeira autora e sua professora da modalidade. Nossos entendimentos sugerem que as participantes concebem o pole dance como uma prática libertadora, construindo um discurso que o ressignifica positivamente e que resiste a visões hegemônicas conservadoras, as quais estigmatizam a atividade e a consideram uma prática vulgar e desviante da normalidade.

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Biografia do Autor

Lorena Araujo Alves, Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro

Mestranda no Programa de Pós-Graduação em Estudos da Linguagem (PPGEL) do Departamento de Letras da PUC-Rio

Adriana Nogueira Accioly Nóbrega, Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro

Doutorado em Letras pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro.
Professora Adjunta II da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Brasil.

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Publicado

2021-03-09

Como Citar

ALVES, L. A.; NÓBREGA, A. N. A. “Mas isso é porque as pessoas não sabem o que é o pole dance”: contribuições da avaliação para a análise discursiva de estigmas. Trabalhos em Linguística Aplicada, Campinas, SP, v. 59, n. 3, p. 2183–2208, 2021. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/tla/article/view/8660484. Acesso em: 25 out. 2021.

Edição

Seção

Artigos