Práticas sociodiscursivas de resistência motivadas pela iterabilidade de violências

análise discursivo-crítica dos relatos de homens trans estudantes

Autores

Palavras-chave:

Análise de discurso crítica, Homens trans estudantes, Práticas de resistência

Resumo

A partir dos relatos de homens trans estudantes de uma escola pública brasileira, analisamos as práticas sociodiscursivas de resistência produzidas por eles principalmente na esfera educacional, mas também no âmbito familiar. Para tanto, nossa pesquisa discursiva-etnográfica vincula-se teórica e metodologicamente à Análise de Discurso Crítica de vertente anglo-saxã, empreendida por Norman Fairclough e Lilie Chouliaraki, que tem propriedade transdisciplinar. A fim de produzir uma crítica-explanatória, articulamos a análise linguístico-discursiva dos dados semióticos aos Estudos de Gênero. Nas narrativas, observamos identificações e representações de práticas violentas que banalizam o reconhecimento e as necessidades particulares dos corpos trans estudantes promovendo opressões que emergem a partir da combinação de diferentes eixos da diferença, como o gênero e a raça. Essas interpelações violentas motivam esses agentes sociais a reagirem discursivamente em meio à vida social potencialmente cis-heteronormativas e normalizadora.

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Biografia do Autor

Samuel de Sá Ribeiro, Universidade Federal de Viçosa

Mestrado em Letras pela Universidade Federal de Viçosa. Professor de Redação (Autônomo) do Redação de Impacto, Brasil.

Maria Carmen Aires Gomes, Universidade Federal de Viçosa

Doutorado em Estudos Linguísticos pela Universidade Federal de Minas Gerais.
Professora associada III da Universidade Federal de Viçosa, Brasil.

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Publicado

2020-12-30

Como Citar

RIBEIRO, S. de S.; GOMES, M. C. A. . Práticas sociodiscursivas de resistência motivadas pela iterabilidade de violências: análise discursivo-crítica dos relatos de homens trans estudantes. Trabalhos em Linguística Aplicada, Campinas, SP, v. 59, n. 3, p. 1784–1808, 2020. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/tla/article/view/8661118. Acesso em: 5 dez. 2021.

Edição

Seção

Dossiê