O cotidiano, a quebrada e o sonho

a resistência pelo olhar na ação de um fotocoletivo

Autores

Palavras-chave:

Periferia, Fotoativismo, Práticas de self, Cotidiano, Espaço biográfico

Resumo

Este artigo propõe refletir sobre as possibilidades enunciativas de coletivos periféricos contemporâneos, com foco na experiência do DiCampana Foto Coletivo. Criado em São Paulo, em 2016, o coletivo de fotógrafos entende a sua ação na proposta de formar uma coleção de novas imagens que mostrem a periferia sem as lentes típicas que a emolduram em estereótipos pejorativos. Categorias fenomenológicas de tempo e espaço são acionadas no percurso metodológico na tentativa de compreender a formação de sonhos e memórias na fabulação fotográfica do cotidiano das quebradas. O movimento interpretativo final é o de ler a construção de um espaço biográfico para a periferia na ação política de criar uma imagística da “periferia olhada pela periferia”. A prática fotográfica e ativista é, assim, compreendida como prática de self, de composição individual e coletiva.

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Biografia do Autor

Daniela Palma, Universidade Estadual de Campinas

Doutorado em Ciências da Comunicação pela Escola de Comunicações e Artes - Universidade de São Paulo. Professor doutor da Universidade Estadual de Campinas, Brasil.

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Publicado

2021-03-09

Como Citar

PALMA, D. O cotidiano, a quebrada e o sonho: a resistência pelo olhar na ação de um fotocoletivo. Trabalhos em Linguística Aplicada, Campinas, SP, v. 59, n. 3, p. 1862–1883, 2021. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/tla/article/view/8661241. Acesso em: 25 out. 2021.

Edição

Seção

Dossiê