O uso do "blackface" como prática pedagógica nos anos iniciais da Educação Básica

Autores

Palavras-chave:

Blackface. Lei 10.639/2003, Educação antirracista

Resumo

Este trabalho tem como objetivo refletir sobre as práticas pedagógicas que utilizam o blackface de maneira equivocada na busca pela valorização da história e cultura afro-brasileira e africana. Para alcançar tal objetivo, utilizamos como aporte teórico Munanga (2008), Hall (2016), Souza (2011) e Silva (2014). A metodologia utilizada foi a análise qualitativa de entrevistas estruturadas e semiestruturadas com os professores da Educação Infantil e dos Anos Iniciais do Fundamental. Por fim, compreendeu-se que muitos professores não sabem do que trata o blackface, mesmo quando o praticam, o que é resultado de uma formação com currículo eurocêntrico que reproduz um discurso racista sem as devidas informações sobre as questões étnico-raciais. Sendo assim, práticas racistas com o intuito de promover igualdade racial nas escolas continuam a ser engendradas, “consumidas” por alunos e também reproduzidas por eles em um contínuo ciclo de repetição, cuja interrupção só será possibilitada com a efetivação de práticas antirracistas que estão em acordo com a Lei 10.639/2003 e suas Diretrizes Nacionais Curriculares (2004).

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Biografia do Autor

Andressa Queiroz da Silva, Universidade Federal do Acre

Mestranda em Letras pela Universidade Federal do Acre. Professora da Educação Básica do Estado do Acre, Brasil.

Flávia Rodrigues Lima da Rocha, Universidade Federal do Acre

Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal do Paraná. Professora assistente classe A - nível 2, da Universidade Federal do Acre, Brasil.

Wálisson Clister Lima Martins, Universidade Federal do Acre

Mestrando em Educação pela Universidade Federal do Acre, Brasil.

Referências

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Publicado

2022-06-29

Como Citar

SILVA, A. Q. da; ROCHA, F. R. L. da; MARTINS, W. C. L. O uso do "blackface" como prática pedagógica nos anos iniciais da Educação Básica. Trabalhos em Linguística Aplicada, Campinas, SP, v. 61, n. 1, p. 148–162, 2022. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/tla/article/view/8662077. Acesso em: 28 set. 2022.