Resumo
Este artigo tem como objetivo analisar sistematicamente a escala de proficiência destinada à avaliação do controle fonológico no Quadro Comum Europeu de Referência para as Línguas (QCER), sob a perspectiva do pluricentrismo no ensino e na avaliação de línguas estrangeiras, com vistas a problematizar sua definição operacional e a organização hierárquica de seus critérios avaliativos. Fundamentados nos debates da literatura pluricêntrica de Flores e Rosa (2015), Carvalho e Schlatter (2024) e Garcez, Armani e Santos (2025), bem como nos estudos geográficos e sociológicos de Haesbaert (2014; 2024), analisamos a operacionalização do controle fonológico por meio do uso de Árvores de Decisão de Desempenho (ADD), a fim de extrair os critérios hierarquicamente organizados em uma escala analítica voltada à avaliação da pronúncia. Os resultados revelam que tanto os critérios quanto sua hierarquização refletem uma visão homogênea de língua, o que resulta na penalização de variedades nativas e não nativas em favor de um desempenho idealizado. Considerando a projeção política e educacional do QCER, pretende-se fomentar o debate acerca da urgência de revisar os critérios avaliativos do desempenho oral ainda pautados em concepções monolíticas de língua, em razão de seus impactos sobre as políticas globais de (i)mobilidade.
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