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Publicidade e combate à desinformação: uma análise da teia referencial e da (inter)subjetividade na peça publicitária “A ufologista”
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Palavras-chave

LFCU
Desinformação
Referenciação
Linguística textual
Publicidade

Como Citar

CAVALCANTE, Sávio André de Souza; SILVA, Camila Maria dos Santos; CORDEIRO NETO, Joaquim Francisco; FREITAS, Erica Aparecida Alves Fraga. Publicidade e combate à desinformação: uma análise da teia referencial e da (inter)subjetividade na peça publicitária “A ufologista”. Trabalhos em Linguística Aplicada, Campinas, SP, v. 65, n. 00, p. e026002, 2026. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/tla/article/view/8680214. Acesso em: 7 maio. 2026.

Dados de financiamento

Resumo

Este artigo objetiva investigar a teia referencial e os efeitos de (inter)subjetividade na (re)construção textual dos referentes da peça publicitária “A ufologista”, no que diz respeito ao enfrentamento à desinformação e aos movimentos antivax. Para isso, discutimos como os conceitos de linguagem, desinformação e publicidade se entrelaçam na produção de sentido para persuasão, a partir de Pinto (1999), Carvalho (2002), Wardle e Derakhsan (2017), Martins (2018), Hissa (2022), Silva (2022), Barreto (2024), Demuru (2024), entre outros. Em seguida, apresentamos convergências de duas áreas da Linguística, a saber, a Linguística Funcional Centrada no Uso (LFCU) (Furtado da Cunha; Bispo; Silva, 2013; Rosário; Oliveira, 2016, entre outros) e a Linguística Textual (LT) (Koch, 2015; Cavalcante, M. et al., 2022, entre outros), mobilizando, principalmente, os conceitos de construção (Croft, 2001) referencial, (inter)subjetividade (Traugott; Dasher, 2003) e referenciação (Mondada; Dubois, 2019[1995]). Quanto à metodologia (Paiva, 2019), esta pesquisa é de natureza aplicada, de abordagem qualitativa e caracteriza-se, quanto aos objetivos, como descritiva. Os resultados da análise mostram que construções nominais referenciais (re)criam a teia referencial e o mundo discursivo de “A ufologista” e promovem uma identificação dos personagens com o interlocutor. Essas estratégias (inter)discursivas e (inter)subjetivas favorecem a valorização do discurso pró-vacina e, consequentemente, a adesão ao centro aplicador delas, o laboratório Hermes Pardini, num jogo de sedução publicitária. Conclui-se que a linguagem publicitária pode ser uma alternativa de combate à desinformação, servindo-se de aspectos co(n)textuais que criam uma narrativa persuasiva significativa no enfrentamento desse problema social.

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Referências

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