Objeções à igualdade e à democracia: a diferença como base da educação aristocrática

  • Samuel Mendonça Pontifícia Universidade Católica de Campinas
Palavras-chave: Friedrich Nietzsche, 1844-1900. Igualdade. Diferença. Democracia. Educação aristocrática.

Resumo

A igualdade, presente na educação de rebanho e que justifica a democracia, nivela o desenvolvimento humano por baixo, para o pior, de modo que se tem uma sociedade cada vez mais fraca. A educação aristocrática, ao contrário, privilegia o desenvolvimento da autonomia do indivíduo; nesse caso, a diferença constitui a meta a ser alcançada pelo filósofo. Não se trata de pensar a diferença como oposta à igualdade, de forma estanque, mas a diferença existe na igualdade. Neste artigo, apresentaremos a crítica de Nietzsche à democracia, da mesma forma que sua crítica à igualdade. Além disto, analisaremos o sentido da educação aristocrática no contexto da hegemonia prussiana, além de aspectos fundamentais da filosofia de Nietzsche, com destaque para a vontade de potência. Com esses elementos, pretendemos argumentar que, paradoxalmente, a educação de rebanho se revela importante como estímulo à educação aristocrática, da mesma forma que a igualdade também indica a necessidade da diferença como possibilidade de plenitude do filósofo do futuro, muito livre; então, é na diferença que a educação aristocrática se estrutura.

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Biografia do Autor

Samuel Mendonça, Pontifícia Universidade Católica de Campinas
Doutor em Filosofia da Educação/Unicamp. Coordenador e professor permanente do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensuem Educação da PUC Campinas. Membro do INPE – International Network of Philosophers of Education e do PES – Philosophy of Education Society. Presidente da Associação Latinoamericana de Filosofia da Educação – ALFE.

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Publicado
2010-11-18
Como Citar
Mendonça, S. (2010). Objeções à igualdade e à democracia: a diferença como base da educação aristocrática. ETD - Educação Temática Digital, 14(1), 332-350. https://doi.org/10.20396/etd.v14i1.1256