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A diferença no currículo ou intervenções para uma pedagogia
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Palavras-chave

Corpo. Sexualidade. Gênero. Diferença. Teoria queer.

Como Citar

CÉSAR, Maria Rita de Assis. A diferença no currículo ou intervenções para uma pedagogia. ETD - Educação Temática Digital, Campinas, SP, v. 14, n. 1, p. 351–362, 2010. DOI: 10.20396/etd.v14i1.1257. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/etd/article/view/1257. Acesso em: 23 maio. 2024.

Resumo

Este artigo problematiza os sistemas normativos que aprisionam o corpo, o gênero e a sexualidade. Quatro personagens são chamados a intervir na discussão: Thomas Beatie, Brendan Teena, Bree Osbourn e Agrado, pois compõem narrativas que fazem transbordar o sistema corpo-sexo-gênero. Interrogam-se aqui os processos de captura, tais como patologização, medicalização, exclusão e violência, tendo em vista o dispositivo da sexualidade discutido por Foucault e os processos de naturalização do corpo, do sexo e do gênero. Tendo em vista que a narrativa curricular há tempos flerta com os temas da sexualidade e do gênero, na tentativa de produzir novos processos de captura, pensamos que o cruzamento entre a discussão do currículo e das quatro narrativas contribui para instaurar a diferença, no sentido dado por Deleuze. Novas perguntas, oriundas das teorizações queer ou pedagogia queer, produzem a diferença nas práticas escolares, ao demonstrar os limites do nosso sistema de inteligibilidade quanto aos corpos, ao sexo e às relações de gênero. As quatro personagens/intervenções contêm um potencial reflexivo capaz de afetar a escola pelo (des)conhecimento, fazendo-a experimentar o não saber por meio de novas perguntas, capazes de colocar em xeque os sistemas normativos prevalecentes. 

https://doi.org/10.20396/etd.v14i1.1257
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