A interatividade como tecnologia de governo da docência no ensino médio

Autores

  • Roberto Rafael Dias da Silva Universidade Federal da Fronteira Sul

DOI:

https://doi.org/10.20396/etd.v15i1.1294

Palavras-chave:

Docência. Ensino médio. Interatividade. Estudos foucaultianos.

Resumo

O presente texto examina os modos contemporâneos de constituição da docência no Ensino Médio no Brasil. Servindo-se das teorizações foucaultianas como inspiração analítica, considerou-se como condição de possibilidade a centralidade dos saberes tecnocientíficos e o advento das condições do capitalismo cognitivo, bem como a inserção da profissão docente no interior das tramas contemporâneas da bioeconomia. Examina-se nesse texto uma das tecnologias de governo que conduzem a docência contemporânea nesta etapa da Educação Básica: a interatividade como modo de pensamento. A mobilização desta tecnologia sugere a constituição de docências interativas, efetivando-se a partir de uma ação pedagógica politicamente útil e economicamente produtiva. Nessa direção, o aprender em rede, o futuro como algo imediato e as profissionalidades interativas são algumas das estratégias mobilizadas no interior dessa tecnologia de governo. A consideração dos professores como um público, assim como a multiplicação dos sentidos ligados à sociedade de aprendizagem, conduzem a produção de “pedagogias de conexão” que, nessa analítica, primam pela formação de docências com condições específicas de pensar, agir e comunicar-se. Enfim, defende-se neste artigo a perspectiva de que a interatividade opera como uma tecnologia de governo otimizadora da constituição contemporânea da docência no Ensino Médio no Brasil.

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Biografia do Autor

Roberto Rafael Dias da Silva, Universidade Federal da Fronteira Sul

Professor Adjunto na Área de Fundamentos da Educação na Universidade Federal da Fronteira Sul.

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Publicado

2013-02-27

Como Citar

Silva, R. R. D. da. (2013). A interatividade como tecnologia de governo da docência no ensino médio. ETD - Educação Temática Digital, 15(1), 48–66. https://doi.org/10.20396/etd.v15i1.1294