Uma cartografia que pode dançar

Palavras-chave: Educação geográfica. Oficina. Cartografia geográfica. Cartografia guattariana/deleuziana.

Resumo

Duas pesquisas em curso: “O que pode a cartografia e a geografia: investigações e invenções em educação” e “Geografias em corpos”. Em ambas, a cartografia está em pauta. Por um lado a cartografia como qualidade de acompanhar processos para que possamos dizer o que é preciso ser dito e, por outro, a cartografia da geografia, responsável por assegurar a produção de mapas ancorada na equivalência do espaço e sua representação. Do nosso encontro e do encontro das duas pesquisas elaboramos uma oficina na modalidade “Atividade Programada” oferecida para alunos do Programa de Pós Graduação em Educação, a fim de que nossas ideias de cartografia “falassem”, cartografamos a sala de aula onde o encontro acontecia. Movimentamos, antes, as noções de cartografia em pauta, para em seguida, como numa dança, fazer com que os oficineiros deslocassem-nas, oscilando entre uma e outra. “O que pode a cartografia de uma sala de aula?”, assim nos colocamos em ação para constituir meios de expressão de uma ideia, criando espaçamentos, nos e por seus corpos, descolados de contextos figurativos e representacionais asfixiantes da ciência maior. Disponibilizamos ao grupo materiais diversos, prestando atenção aos processos de constituição daqueles mapas, afinal, o que é uma sala de aula? Quais são seus planos? Estavam em questão as dificuldades encontradas para o começo do mapeamento, não só do modo de trazer à tona as cartografias daquela sala de aula, mas do modo como presentificá-las.

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Biografia do Autor

Valéria Cazetta, Universidade de São Paulo
Possui graduação em licenciatura em Geografia, mestrado e doutorado na mesma área. É professora da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) da Universidade de São Paulo, orientando nos Programas de Pós-graduação em Estudos Culturais da EACH-USP, e Ensino e História de Ciências da Terra (IG-Unicamp), ambos mestrado acadêmico. Realizou estágio pós-doutoral em Didática da Geografia e Cartografia na Universidad Politécnica de Madrid, com bolsa de pesquisa Capes, e pós-doutorado em educação na Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC) - bolsista PNPD/Capes (Programa Nacional de Pós-Doutorado). Trabalha na fronteira entre imagens (mapas, fotografias, tatuagens, imagens orbitais, desenhos e produção de narrativas audiovisuais) e educação, com a finalidade de compreender as subjetividades oriundas dos processos educativos contemporâneos.
Ana Maria Hoepers Preve, Universidade do Estado de Santa Catarina
Graduação em Biologia e mestrado em Educação pela UFSC; doutorado em Educação pela UNICAMP na área de concentração Educação, conhecimento, linguagens e arte. Professora adjunta no Curso de Geografia e professora permanente no Programa de Pós Graduação em Educação na linha de pesquisa Educação e Comunicação da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC). Desde o mestrado atuo em Educação, com ênfase na Formação de Professores e na prática de pesquisa com oficinas. No doutorado trabalhei com oficinas de educação em geografia e a noção de deslocamentos intensivos no Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico em Florianópolis. Atualmente desenvolvo pesquisas, extensão e projetos de ensino que decorrem destes percursos anteriores e me colocam sempre em contato com a formação de educadores principalmente no curso de Geografia. 

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Publicado
2016-11-17
Como Citar
Cazetta, V., & Preve, A. M. H. (2016). Uma cartografia que pode dançar. ETD - Educação Temática Digital, 18(4), 857-874. https://doi.org/10.20396/etd.v18i4.8646438