Defender a escola das pedagogias contemporâneas

  • Julio Groppa Aquino Universidade de São Paulo
Palavras-chave: Escola. Pedagogia. Documentário. Arquivo. Michel Foucault.

Resumo

Valendo-se da obra Em defesa da escola como fio condutor das reflexões apresentadas, este artigo percorre inicialmente um arco argumentativo que engloba tanto a contestação das práticas escolares quanto sua apologia, passando por uma breve digressão acerca do trabalho crítico proposto por Michel Foucault, ao qual as discussões se alinham do ponto de vista teórico. Seu objetivo específico é a aproximação descritiva de alguns enunciados em circulação na contemporaneidade pedagógico-escolar, por meio da análise da obra fílmica Quando sinto que já sei, documentário brasileiro de 2014 constituído por depoimentos de alunos, educadores e idealizadores de experiências escolares ditas alternativas. A título de esconjuro de determinados expedientes pedagógicos tidos como tradicionalistas, o filme centra-se na proposição de estratégias supostamente inovadoras de aprendizagem, de vinculação entre seus protagonistas e destes com a ambiência escolar, apontando para uma acentuada transfiguração da normatividade típica das práticas pedagógico-escolares. Como contraponto ao ideário subjacente ao filme e a par de um ceticismo vitalista, o artigo propõe, em suas considerações finais, uma educação pelo arquivo, com vistas a um desbloqueio das forças instituintes do éthos escolar e, sobretudo, da palavra docente.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Julio Groppa Aquino, Universidade de São Paulo
Professor da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo.

Referências

ANDRADE, Carlos Drummond de. Obra poética. Rio de Janeiro, RJ: Nova Aguilar, 2002.

AQUINO, Julio Groppa. Disjunção, dispersão e dissensão da educação contemporânea. In: SARAIVA, Karla; MARCELLO, Fabiana de Amorim. (Orgs.). Estudos culturais e educação: desafios atuais. Canoas, RS: ULBRA, 2012. p.137-158.

AQUINO, Julio Groppa. O pensamento como desordem: repercussões do legado foucaultiano. Pro-posições, Campinas, SP: maio/ago. 2014. v. 25, n. 2 (74), p. 83-101.

AQUINO, Julio Groppa. Diálogos em delay: especulações em torno de uma temporalidade outra do encontro pedagógico. Educação e Pesquisa, São Paulo, SP: 2016 [ahead of print]. Disponível em: https://goo.gl/uTQrsh. Acesso em: 10 abr. 2017.

ARENDT, Hannah. Entre o passado e o futuro. 3.ed. São Paulo, SP: Perspectiva, 1992.

AZANHA, José Mário Pires. Educação: alguns escritos. São Paulo, SP: Editora Nacional, 1987.

CANDIOTTO. Cesar. Ética e política em Michel Foucault. Trans/Form/Ação, Marília, SP: 2010. v. 33, n. 2, p. 157-176.

CORAZZA, Sandra Mara. Currículo e didática da tradução: vontade, criação e crítica. Educação e Realidade, Porto Alegre, RS: out./dez. 2016. v. 41, n. 4, p. 1313-1335.

DEACON, Roger; PARKER, Ben. Escolarização dos cidadãos ou civilização da sociedade? In: SILVA, Luiz Heron da. (Org.). A escola cidadã no contexto da globalização. 2.ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 1998. p.138-153.

ENGUITA. Mariano F. A face oculta da escola: educação e trabalho no capitalismo. Porto Alegre, RS: Artes Médicas. 1989.

FOUCAULT, Michel. Vigiar e punir: nascimento da prisão. 14.ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 1987.

FOUCAULT, Michel. Michel Foucault entrevistado por Hubert L. Dreyfus e Paul Rabinow. In: RABINOW, P.; DREYFUS, H. Michel Foucault, uma trajetória filosófica: para além do estruturalismo e da hermenêutica. Rio de Janeiro, RJ: Forense Universitária, 1995. p. 253-278.

FOUCAULT, Michel. A ordem do discurso. São Paulo, SP: Loyola, 1996.

FOUCAULT, Michel. O que são as Luzes? In: FOUCAULT, Michel. Arqueologia das ciências e história dos sistemas de pensamento. Ditos e Escritos II. Rio de Janeiro, RJ: Forense Universitária, 2000. p. 335-351.

FOUCAULT, Michel. O cuidado com a verdade. In: FOUCAULT, Michel. Ética, sexualidade, política. Ditos e Escritos V. Rio de Janeiro, RJ: Forense Universitária, 2004. p. 240-251.

FOUCAULT, Michel. O nascimento de um mundo. In: FOUCAULT, Michel. Filosofia, diagnóstico do presente e verdade. Ditos e Escritos X. Rio de Janeiro, RJ: Forense Universitária, 2014. p.51-54.

FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido. Rio de Janeiro, RJ: Paz e Terra, 1974.

ILLICH, Ivan. Sociedade sem escolas. Petrópolis, RJ: Vozes, 1973.

MASSCHELEIN, Jan; SIMONS, Maarten. Em defesa da escola: uma questão pública. Belo Horizonte, MG: Autêntica, 2013.

NOGUERA-RAMÍREZ, Carlos Ernesto. Pedagogia e governamentalidade ou Da Modernidade como uma sociedade educativa. Belo Horizontes, MG: Autêntica, 2011.

VARELA, Julia. Categorias espaço-temporais e socialização escolar: do individualismo ao narcisismo. In: COSTA, Marisa Vorraber (Org.). Escola básica na virada do século. São Paulo, SP: Cortez, 1999. p. 73-106.

VELOSO, Caetano. Oração ao tempo. In: FERRAZ, Eucanaã. (Org.). Letra só. São Paulo, SP: Companhia das Letras, 2003. p. 247.

YOUNG, Michael. Para que servem as escolas? Educação & Sociedade. Campinas, SP: set./dez. 2007. v. 28, n. 101, p. 1287-1302.

Publicado
2017-10-06
Como Citar
Aquino, J. G. (2017). Defender a escola das pedagogias contemporâneas. ETD - Educação Temática Digital, 19(4), 669-690. https://doi.org/10.20396/etd.v19i4.8648729