Cegueira e conceitualização em ciências

a percepção de professores e alunos da educação básica

Autores

DOI:

https://doi.org/10.20396/etd.v21i2.8650633

Palavras-chave:

Deficiência visual, Educação especial, Fenômenos físicos, Educação inclusiva.

Resumo

Este texto apresenta os resultados de uma pesquisa realizada com o objetivo de compreender o processo de conceituação em ciências na perspectiva de estudantes cegos congênitos e videntes e seus professores ou especialistas em deficiência visual. Trata-se de uma pesquisa qualitativa cujas informações foram constituídas em cenários reais com o intuito de entender os fenômenos físicos em termos dos significados atribuídos por seus participantes. As questões do instrumento de pesquisa foram elaboradas considerando-se que, embora os conceitos e fenômenos sensíveis estejam interrelacionados por seus significados, psicologicamente, são categorias diferentes de consciência. Para efeito de análise, as respostas foram agrupadas em três tópicos: cegueira congênita e trabalho científico, cegueira congênita e natureza da luz e cegueira congênita, conceitos e fenômenos científicos. Os resultados apontam que ainda prevalece a concepção de que em uma cultura de videntes, é natural o estabelecimento de associações de dependência entre pensamento e visão, conhecimento e visão, realidade e visão, estudo e visão, trabalho e visão, de tal forma que os visualmente impossibilitados são considerados incapazes de exercerem as funções indicadas, como, por exemplo, tornar-se um cientista.

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Biografia do Autor

Estéfano Vizconde Veraszto, Universidade Federal de São Carlos

Doutor em Educação - Universidade Estadual de Campinas. Professor Adjunto da Universidade Federal de São Carlos.

José Tarcísio Franco de Camargo, Universidade Estadual de Campinas

Doutorado em Engenharia Elétrica  - Universidade Estadual de Campinas. Professor do Centro Regional Universitário de Espírito Santo do Pinhal. 

Elisa Ramos da Silva, Universidade Federal de São Carlos

Mestranda em Educação em Ciências e Matemática  -  Universidade Federal de São Carlos. Possui experiência em docência pelo projeto de extensão curso Pré-Universitário - Universidade Federal de São Carlos.

Eder Pires de Camargo, Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho"

Doutor em Educação - Universidade Estadual de Campinas. Docente do Departamento de Física e Química - Universidade Estadual Paulista.

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Publicado

2019-04-30

Como Citar

VERASZTO, E. V.; CAMARGO, J. T. F. de; SILVA, E. R. da; CAMARGO, E. P. de. Cegueira e conceitualização em ciências: a percepção de professores e alunos da educação básica. ETD - Educação Temática Digital, Campinas, SP, v. 21, n. 2, p. 435–458, 2019. DOI: 10.20396/etd.v21i2.8650633. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/etd/article/view/8650633. Acesso em: 7 dez. 2021.