Resumo
Este ensaio se ocupa do espaço do texto para desdobrar, na e pela escrita, problemáticas que perspectivam o pesquisar em Educação pela via da poética. Compreende que a pesquisa ao se fazer pela escrita não transcreve uma realidade prévia, senão que cria uma realidade na composição do texto; que o real, então, só pode ser acessado por uma via ficcional. Para tanto, este ensaio apresenta algumas questões sobre as quais traça linhas que definem pontos provisórios, ancoragens para pensar o pensamento que pensa a escrita da e na pesquisa em Educação. Põe em cena, assim, o pensamento e sua relação com o desconhecido. Com efeito, esse pesquisador que dramatiza via a escrita, compõe-se num espaço coexistencial, onde a noção de autoria é revista e permutada com a imagem do narrador de uma ficção. Essa imagem, por sua vez, é tomada como uma autoficção ao mesmo tempo que coloca a escrita em relação com certa noção de performance. O pesquisador, nesse processo, torna-se aquele que narra o pesquisar ao se compor, também, nesse espaço ficcional, múltiplo, polifônico e polissêmico.
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