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Quem ainda ri da bicha preta, efeminada e pobre?
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Palavras-chave

Artefato cultural
Reconhecimento
Direitos LGBT
Funk

Como Citar

DUQUE, Tiago. Quem ainda ri da bicha preta, efeminada e pobre? : funk, (re)conhecimento e direitos LGBT em tempos de pânico moral. ETD - Educação Temática Digital, Campinas, SP, v. 21, n. 4, p. 889–907, 2019. DOI: 10.20396/etd.v21i4.8654808. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/etd/article/view/8654808. Acesso em: 24 jun. 2024.

Resumo

Esse artigo discute a ideia de reconhecimento através da imagem da bicha preta, efeminada e pobre, para pensar a questão dos direitos LGBT no contexto contemporâneo. Isso é feito a partir das reações críticas de LGBT e não LGBT diante do clipe da música “Me Solta”, do cantor de funk Nego do Borel. O clipe da referida música é entendido nessa reflexão como um artefato cultural produzido e (re)produtor de relações de poder e subjetividades que, via a imagem risível de uma figura bastante difundida na mídia nacional, ensina o quanto a questão do reconhecimento tem sido diferente em relação há décadas atrás. A metodologia empregada é a “etnografia de tela”, isto é, aquela que utiliza técnicas da etnografia associadas a estratégias de análises de imagens e filmes. A reflexão teórica é demarcada, principalmente, por autoras/es pós-críticos (feminismos, queers, pós-coloniais e decoloniais). Conclui-se, entre outros pontos, que precisa-se pensar, em tempos de pânico moral e de maior reivindicação dos direitos LGBT, o estigma e os campos de inteligibilidades diante das novas experiências de reconhecimento e identificação, dos LGBT e não LGBT, mesmo via os discursos de não representatividades.

https://doi.org/10.20396/etd.v21i4.8654808
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