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Infâncias removíveis, crianças descartáveis
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Palavras-chave

Infância
Moradia
Crianças
Luta
Errancia urbana

Como Citar

GOBBI, Márcia Aparecida. Infâncias removíveis, crianças descartáveis: ensaio sobre uma remoção de casas e vidas na cidade de São Paulo. ETD - Educação Temática Digital, Campinas, SP, v. 23, n. 2, p. 466–486, 2021. DOI: 10.20396/etd.v23i2.8657121. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/etd/article/view/8657121. Acesso em: 26 maio. 2024.

Resumo

Esse artigo tem como objetivo discutir a infância nos recentes processos de remoção de moradias ocorridos na favela Jardim Humaitá, na cidade de São Paulo, Brasil.  A escolha do local de pesquisa se deu pelos visíveis interesses econômicos e imobiliários conflitantes com a ocupação da área vista como ilegítima pelo poder público. Trata-se de uma questão ainda pouco explorada no âmbito dos estudos sociais da infância e sua relação com o urbano e as cidades.  Partimos de observações do processo de reintegração de posse deste terreno público que leva a errância de crianças em busca de lugares onde morar e suas formas de luta e sobrevivência em condições tão adversas. A metodologia empregada baseou-se em observações desta comunidade, fontes documentais como telejornais e fotografias e derivas pelo entorno da favela durante os meses de fevereiro e abril de 2019 incluindo os dois dias em que a remoção aconteceu, tendo como objetivo conhecer estratégias de luta e/ou sobrevivência das crianças. Remove-se não somente as casas, mas as crianças suas moradoras configurando uma infância removível. Ao refletir que poucas vidas têm importância e que encontra-se em curso um perverso projeto de extermínio dessas populações, compostas especialmente por pretos e pobres, percebe-se que não apenas os adultos e as adultas estão envolvidos, mas também as crianças, que estão em risco e lutam diariamente sendo agentes capazes de ações que contrastam com cenário tão adverso e o recriam a seu modo.

https://doi.org/10.20396/etd.v23i2.8657121
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