A tirania do visível e suas imaginações geográficas

sobre um arquivo cinematográfico na escola

Autores

DOI:

https://doi.org/10.20396/etd.v23i2.8661505

Palavras-chave:

Educação, Cinema, Cultura, Ensino de geografia

Resumo

A obrigatoriedade de exibição de pelo menos duas horas mensais de filmes brasileiros na escola trouxe à tona a discussão a respeito de como (e se) o cinema vem sendo utilizado no âmbito escolar. Em 2016, professores pesquisadores da Rede Internacional de Pesquisa Imagens, Geografias e Educação propuseram uma pesquisa comum a todos os polos da Rede (Brasil, Argentina e Colômbia), por meio de um questionário base, afim de averiguar de que forma os professores de Geografia estavam se apropriando desta nova possibilidade na educação. Quais as motivações levam professores a passarem filmes nas aulas? Quais filmes são estes e quais conteúdos geográficos estão sendo suscitados? Para compreender as possíveis respostas a estas indagações, investigamos as respostas de 136 professores brasileiros. Primeiramente, consideramos o poder das imagens e as reflexões a respeito destas na educação geográfica, bem como trabalhamos com referencial teórico que dê conta de pensar o regime de visibilidade que envolve a apresentação de filmes como recurso didático ou como objeto de ampliação cultural de estudantes. Em segundo lugar, ao lidarmos com os resultados da pesquisa, problematizamos as motivações para o cinema na escola demonstrando recorrências de temas, conteúdos e filmes citados pelos professores, questionando o protagonismo de alguns espaços. Nesse sentido, observamos como os filmes têm a potência de marcar o imaginário geográfico e cultural dos alunos e, a partir disso, atentar para a necessidade de discussão sobre os filmes apresentados, mostrando-os como um dos pontos de vista da realidade, mas não o único.

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Biografia do Autor

Ana Paula Nunes Chaves, Universidade do Estado de Santa Catarina

Doutora em Educação pela Universidade de Saõ Paulo (USP). Professora do Departamento de Geografia e do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC).

Camila Benatti Policastro, Universidade do Estado de Santa Catarina

Mestranda em Educação pela Universidade do Estado de Santa Catarina (PPGE/UDESC). Licenciada em Geografia pela Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC).

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Publicado

2021-05-19

Como Citar

CHAVES, A. P. N.; POLICASTRO, C. B. A tirania do visível e suas imaginações geográficas: sobre um arquivo cinematográfico na escola. ETD - Educação Temática Digital, Campinas, SP, v. 23, n. 2, p. 354–373, 2021. DOI: 10.20396/etd.v23i2.8661505. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/etd/article/view/8661505. Acesso em: 26 jul. 2021.