Revendo nós historiográficos

apontamentos sobre as esculturas de santos-amuletos do Vale do Paraíba e suas origens africanas

Autores

DOI:

https://doi.org/10.20396/modos.v6i1.8666566

Palavras-chave:

Giro decolonial, Santos-amuletos, Escultura, Africanos, Kongo, Território paulista

Resumo

Este texto consiste em estabelecer uma leitura mais ampla e comparativa sobre as esculturas de cunho devocional denominadas “santos-amuletos”. Para isto, é proposta uma análise sobre a antologia crítica desenvolvida até os dias atuais sobre estes objetos, pautando os problemas epistemológicos que levaram estabelecer, em partes, uma historiografia equivocada, com interpretações acondicionadas em abordagens estereotipadas destas esculturas produzidas por africanos escravizados no século XIX, na região paulista do Vale do Paraíba (SP). Em contraponto, pesquisas sobre a influência cultural que o antigo reino do Kongo (região da África Central) teve sob as regiões circunvizinhas e na Europa, entre os séculos XVI e XIX, atestam as fronteiras que aproximam os nós-de-pinho com a tradição escultórica desenvolvida neste reino durante a implantação do catolicismo pelos portugueses e difundida pelos próprios monarcas do Kongo. Esse contexto histórico evidencia os resultados desses contatos culturais entre portugueses e os bakongo (bacongos), e, permitem traçar outra perspectiva historiográfica das pequenas esculturas de santos-amuletos encontradas no Brasil, possibilitando identificá-las dentro de um escopo cultural ampliado e significativo para o entendimento da circulação de um cânone estético.

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Biografia do Autor

Joyce Farias, Universidade Federal de São Paulo

Pesquisadora do Museu Afro Brasil (São Paulo - SP) e doutoranda em História da Arte pela Universidade Federal de São Paulo (PPGHA / EFLCH- UNIFESP).

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Publicado

2022-01-05

Como Citar

FARIAS, J. Revendo nós historiográficos: apontamentos sobre as esculturas de santos-amuletos do Vale do Paraíba e suas origens africanas. MODOS: Revista de História da Arte, Campinas, SP, v. 6, n. 1, p. 202–229, 2022. DOI: 10.20396/modos.v6i1.8666566. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/mod/article/view/8666566. Acesso em: 11 ago. 2022.

Edição

Seção

Dossiê - Arte e diáspora africana: conflitos, cânones, recomeços