A Virgem Abrideira dos Gozos de Maria da Coleção Ivani e Jorge Yunes

transculturalidade e espaços intermediários

Autores

DOI:

https://doi.org/10.20396/modos.v5i3.8666746

Palavras-chave:

Virgem Abrideira dos Gozos de Maria, Coleção Ivani e Jorge Yunes, Transculturalidade, História da arte

Resumo

Este artigo tem como objetivo analisar a Virgem Abrideira dos Gozos de Maria pertencente à Coleção Ivani e Jorge Yunes, em São Paulo. Virgens Abrideiras dos Gozos de Maria são esculturas de vulto que possuem um tipo de mecanismo frontal que permite abrir seus corpos totalmente ou apenas em parte, revelando cenas marianas em seu interior. Existem três exemplares ibéricos, dos séculos XIII e XIV, que se encontram em acervos nas cidades de Allariz, Évora e Salamanca. Apesar dos temas entalhados em seu interior, a Abrideira da Coleção Yunes foi elaborada em outro espaço temporal e geográfico (em alguma possessão ibérica no Extremo Oriente). Na falta de exemplares similares que pudessem conduzir a análise, esta pesquisa procurou vislumbrá-la à luz das imaginárias resultantes dos encontros culturais entre europeus e asiáticos, como a indo-portuguesa, singalesa, hispano-filipina ou chinesa. Os enigmas que cercam os fatores de sua produção levantaram questões a respeito das fronteiras impostas pela historiografia ― como taxonomias e categorias etnocêntricas ― e apontaram para a necessidade de se pensar a transculturalidade e os espaços “intermediários”.

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Biografia do Autor

Flavia Galli Tatsch, Universidade Federal de São Paulo

Docente do Departamento de História da Arte da Escola de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade Federal de São Paulo/UNIFESP.

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Publicado

2021-10-15

Como Citar

TATSCH, F. G. A Virgem Abrideira dos Gozos de Maria da Coleção Ivani e Jorge Yunes: transculturalidade e espaços intermediários. MODOS: Revista de História da Arte, Campinas, SP, v. 5, n. 3, p. 313–372, 2021. DOI: 10.20396/modos.v5i3.8666746. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/mod/article/view/8666746. Acesso em: 10 dez. 2022.

Edição

Seção

Dossiê - A "virada global" como um futuro disciplinar para a História da Arte