Acima de tudo, as Mães

tradições artísticas e cosmológicas negras nas pencas de balangandãs

Autores

DOI:

https://doi.org/10.20396/modos.v6i1.8667809

Palavras-chave:

Pencas de Balangandãs, Arte Africana, Arte Afro-brasileira, Ìyámi

Resumo

Peças compostas de três partes (nave, berloques e correntes), as pencas de balangandãs faziam parte da indumentária de mulheres negras escravizadas e livres do período colonial e imperial. Esses objetos já tiveram seus elementos lidos por abordagens realizadas em diferentes pesquisas acadêmicas. Entretanto, parte significativa dessas investigações tratou de modo superficial ou mesmo equivocado algumas questões fundamentais para seu entendimento, principalmente no que tange às tentativas de relacionar seus elementos visuais às culturas africanas e afro-brasileiras. A falta de subsídios históricos, artísticos e teóricos para aprofundamento nas questões de africanidade que tangenciam as análises das pencas se dá, muito provavelmente, pela quase inexistência de um campo estruturado de estudos das artes africanas e afro-brasileiras nos cursos de Artes Visuais e de História da Arte das universidades brasileiras. Com o intento de preencher essa lacuna, o presente artigo propõe análises que realoquem as pencas ao meio epistemológico e às tradições artísticas das quais elas são desdobramento.

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Biografia do Autor

Tadeu Mourão, Instituto Federal de São Paulo

Doutor em Artes pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro, é professor do Instituto Federal de São Paulo.

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Publicado

2022-01-06

Como Citar

MOURÃO, T. Acima de tudo, as Mães: tradições artísticas e cosmológicas negras nas pencas de balangandãs. MODOS: Revista de História da Arte, Campinas, SP, v. 6, n. 1, p. 231–265, 2022. DOI: 10.20396/modos.v6i1.8667809. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/mod/article/view/8667809. Acesso em: 11 ago. 2022.

Edição

Seção

Dossiê - Arte e diáspora africana: conflitos, cânones, recomeços