Argamassas das ruínas do Matadouro Imperial de Santa Cruz

conectando História e Geologia

Autores

DOI:

https://doi.org/10.20396/td.v16i0.8659625

Palavras-chave:

Cal, Guaratiba, Sepetiba, História da mineração, Patrimônio

Resumo

O Matadouro Imperial de Santa Cruz foi inaugurado em 1881 e era responsável pelo abastecimento da carne consumida na cidade do Rio de Janeiro. Após sua desativação, alguns de seus edifícios foram tombados como tipologias da revolução industrial no Brasil. Análises de argamassas de quatro dessas construções, hoje conhecidas como as “Ruínas do Matadouro”, identificaram quartzo e calcita como constituintes principais. Fragmentos de conchas e carvão revelam que a cal utilizada como aglutinante foi obtida por meio da calcinação de moluscos, uma técnica utilizada na região desde o século XVIII, quando a Fazenda Santa Cruz pertencia a Companhia de Jesus. Os dados técnicos integrados à pesquisa histórica indicam serem os depósitos sedimentares locais as fontes tanto das conchas como das areias utilizadas na formulação das argamassas. Os depósitos da Areia Branca e da Praia da Brisa, áreas atualmente urbanizadas, destacam-se como os mais prováveis locais de extração.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Soraya Almeida, Universidade Federal do Rio de Janeiro

Doutorado em Geociências (Mineralogia e Petrologia) pela Universidade de São Paulo. Professora associada da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro onde leciona nos cursos de Mineralogia Óptica, Petrologia das Rochas Metamórficas, Petrologia das Rochas Ígneas e Evolução do Pensamento Geológico. Tem experiência na área de petrologia, com ênfase em áreas pré-cambrianas. Desde 2008 dedica-se também a projetos envolvendo ensino em escolas do ensino fundamental e médio, divulgação e a pesquisa da história da mineração no Rio de Janeiro.

Manuel Gustavo Silva Izaias, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo

Mestrando em História da Ciência na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Possui graduação em Geologia pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, com formação parcial na State University of New York e estágio como curador assistente no Museu Mineralógico e Geológico da Universidade de Harvard. Tem experiência na área de Geociências, com ênfase em Geologia, atuando principalmente nos seguintes temas: cal de concha, história das ciências e argamassas históricas. Atualmente interessado na história da indústria de placas oscilatórias de quartzo.

Referências

Abreu, S. F. (1957). O Distrito Federal e seus recursos naturais. Rio de Janeiro: Instituto Brasileiro de Geografia. 318p.

Almanak Laemmert. (1896). Almanak Laemmert. Edição 53. (1) Rio de Janeiro: Companhia Typographica do Brazil. 462p.

Almanak Laemmert. (1924). Almanak Laemmert. Edição 80. Rio de Janeiro: A. Hénaut &Cia. 5250p.

Almanak Laemmert. (1934). Almanak Laemmert. Edição 90. (1). Rio de Janeiro: Empresa Almake Laemmert Ltda. 294p.

Backheuser, E. (1945). Os Sambaquis do Distrito Federal. Trans. Conf. pronunciada em 10 de outubro de 1918 na Escola Politécnica. Boletim Geográfico, 3(32), 1058-1068.

Bauer, L. A. (1987). Materiais de Construção 1. São Paulo: Livros Técnicos e Científicos Editora. 403p.

Beltrão, M. C. M. C. (1978). Pré-história do Estado do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Editora Forense Universitária. 276p.

Cavalcanti, N. (2003). Santa Cruz uma paixão. Rio de Janeiro: Relume Dumará Ed. 62p.

Cunha, E. M. S. (1965).Sambaquis do Litoral Carioca. Revista Brasileira de Geografia, 27 (1), 3-70.

Cunha, E. S. (1963). Sambaquis e outras jazidas arqueológicas. Paleontologia Dentária e outros assuntos. Rio de Janeiro: Editora Científica. 154p. In: Beltrão, M. C. M. C. (1978). Pré-história do Estado do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Editora Forense Universitária. 276p.

Debret, J. B. (1989).[1835] Viagem pitoresca e histórica ao Brasil. Tomo III. São Paulo: Editora USP. 272p.

Faria, L. A. (2015). Estudo Petrográfico e Arqueológico das Ruínas do Matadouro Imperial de Santa Cruz. Seropédica. UFRRJ. 76p. (Monografia).

Freitas, B. (1977). O Matadouro de Santa Cruz - Cem Anos a Serviço de uma Comunidade. Rio de Janeiro: Edição do Autor. 136p.

Freitas, B. (1985). História de Santa Cruz. I. A Era Jesuítica (1567-1759). Rio de Janeiro: Edição do Autor. 287p.

Freitas, B. (1987). História de Santa Cruz. III. Império (1822-1889). Rio de Janeiro: Edição do autor. 645p.

Gama, J. S. (1875). História da Fazenda Imperial de Santa Cruz. Revista do IHGB, 38 (2), 165-230.

Jornal do Brasil. (1975). (01,05,1975). Edição 23, p. 16. Disponível em: http://memoria.bn.br/DocReader/030015_09/121709. Acesso em: 05. 09. 2019.

Kanan, M. I. (2008). Manual de conservação e intervenção em argamassas e revestimentos à base de cal. Brasília: IPHAN. Programa Monumenta. Cadernos Técnicos. 172p.

Leite, S. S. (1953). Artes e ofícios dos jesuítas no Brasil. (1549-1760). Rio de Janeiro: Edições Brotéria. Lisboa: Editora Livros de Portugal. 324p.

Lodi, C. (Coord.). (2008). Guia do Patrimônio Cultural Carioca. Bens Tombados Rio de Janeiro. Prefeitura do Rio de Janeiro. 263p.

Ministério do Exército. (1987). Santa Cruz. 1:50.000. Cartografia. Folhas SF 23-Z-A-VI-4 e SF 23-Z-C-II-Z. Rio de Janeiro. Departamento de Engenharia e Comunicações. Brasil. Diretoria do Serviço Geográfico.

Munsell, A. H. (1950). Munsell soil color charts. Maryland: Macbeth Division of Kollmorgen Corporation. Baltimore Ed. 117p.

Pohl, J. E. (1976). [1832]Viagem ao interior do Brasil. São Paulo: Edusp. 417p.

Powers, M. C. (1953). A new roundness scale for sedimentary particles. Journal of Sedimentary Research. 23(2), 117-119

Rosa, A. F. (1995). História de Sepetiba. Rio de Janeiro: Imprensa Oficial do Rio de Janeiro. 80p.

Saint-Hilaire, A. (1975).[1830] Viagem pelas províncias do Rio de Janeiro e Minas Gerais. São Paulo: Editora Universidade de São Paulo. 378p.

Sauer, A. (Org.) (1891). Almanak Laemmert. Edição 48. Rio de Janeiro: Companhia Typographica do Brazil. 2171p.

Serviço Geográfico Militar. (1922). Carta do Districto Federal. 1:25.000. Rio de Janeiro. Serviço Geográfico Militar.

Souza, G. S. (1879). Tratado Descriptivo do Brasil em 1587. Rio de Janeiro: Typographia de João Ignacio da Silva. 383p.

Downloads

Publicado

2020-08-19

Como Citar

ALMEIDA, S.; IZAIAS, M. G. S. . Argamassas das ruínas do Matadouro Imperial de Santa Cruz: conectando História e Geologia. Terrae Didatica, Campinas, SP, v. 16, p. e020034, 2020. DOI: 10.20396/td.v16i0.8659625. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/td/article/view/8659625. Acesso em: 26 nov. 2020.