A tradução como política linguística: o caso da Unasul

Autores

  • Guilherme Queiroz Universidade de Brasília
  • Marcos Bagno Universidade de Brasília
  • Júlio César Neves Monteiro Universidade de Brasília

Palavras-chave:

Política linguística. Tradução institucional. Unasul.

Resumo

Busca-se mostrar como a tradução institucional pode ser produto de Políticas Linguísticas, na medida em que estas se configuram, nesse tipo de contexto, também como políticas tradutórias. Estabeleceu-se a União de Nações Sul-Americana (Unasul) como objeto de estudo devido à diversidade de línguas oficiais dessa organização que, em seu próprio Tratado Constitutivo, define o português, o castelhano, o inglês e o neerlandês como idiomas oficiais. Dessa forma, propõe-se uma análise da tradução na Unasul com base na descrição dos processos tradutórios e suas normativas. Parte-se da premissa de que as decisões quanto às linhas de ação dessa instituição, bem como os produtos dela, são acordadas por meio da adoção de um discurso comum e das relações de poder ali presentes. Assim, busca-se fazer uma reflexão sobre a forma como se organizam os interesses dos países nesse âmbito e como isso impacta na produção da tradução do ponto de vista da Política Linguística.

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Biografia do Autor

Guilherme Queiroz, Universidade de Brasília

Mestre em Estudos da Tradução pela Universidade de Brasília. Brasília (DF), Brasil.

Marcos Bagno, Universidade de Brasília

Universidade de Brasília, Brasília (DF), Brasil.

Júlio César Neves Monteiro, Universidade de Brasília

Universidade de Brasília, Brasília (DF), Brasil.

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Publicado

2018-03-28

Como Citar

QUEIROZ, G.; BAGNO, M.; MONTEIRO, J. C. N. A tradução como política linguística: o caso da Unasul. Trabalhos em Linguística Aplicada, Campinas, SP, v. 57, n. 1, p. 127–154, 2018. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/tla/article/view/8651609. Acesso em: 2 dez. 2022.