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Língua em viagem na tradução do desenvolvimento sustentável para empresários do Brasil e de Portugal
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Como Citar

MALACARNE, Robson; BRUNSTEIN, Janette. Língua em viagem na tradução do desenvolvimento sustentável para empresários do Brasil e de Portugal: o caso do WBCSD. Trabalhos em Linguística Aplicada, Campinas, SP, v. 59, n. 1, p. 715–745, 2020. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/tla/article/view/8655411. Acesso em: 29 maio. 2024.

Resumo

O propósito deste artigo é estudar a língua em viagem na tradução do desenvolvimento sustentável para empresários do Brasil e de Portugal. O WBCSD, entidade foco deste estudo, atua no percurso de significação com a publicação de guias que visam orientar o discurso de gestão sustentável no ambiente corporativo. Na pesquisa analisou-se a disputa de poder que ocorre na definição do conceito de desenvolvimento sustentável (DS) e se propôs a metáfora think tanke como modo de traduzir a relação dos empresários com a questão socioambiental. A análise dos discursos, a luz da desconstrução de Derrida, permitiu estudar as estruturas políticas e institucionais que facilitam e dificultam a acolhida da discussão de desenvolvimento sustentável. Essas estruturas foram desenvolvidas na “história do pensamento ocidental”, seja por meio de “textos filosóficos”, ou em “formas e instituições tais como o governo, a universidade, a identidade nacional, o conceito de dom ou a ideia de enlutamento” (WOLFREYS, 2009, p. 51). Há o luto da presença, o luto da razão, o luto do sujeito e o luto de qualquer instância soberana (DERRIDA, 2013, p. 105). Verificou-se que a metáfora da Empresa Sustentável, desenvolvida neste processo de tradução, é insuficiente para acolher as diversas interpretações já que o intuito é assimilar e integrar. Na metáfora think tanke, por sua vez, reconhece-se a língua em viagem que demonstra as contradições e ambiguidades do discurso do WBCSD e acolhe as diversas traduções sobre DS. Assume-se um pensamento de alteridade que traduz-se na desconstrução da relação entre hóspede (questão socioambiental) e hospedeiro (empresa). O hospedeiro torna-se refém das imprevisibilidades do hóspede (alterações climáticas, disponibilidade de água, biodiversidade etc), já que o “hospedeiro torna-se hóspede do hóspede” (DERRIDA, 2003, p. 109).

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