Videorresenhas do Booktube

uma análise da organização sociorretórica desse gênero

Autores

Palavras-chave:

Reelaborações de gêneros, BookTube, Videorresenha

Resumo

Este artigo analisa a resenha de livro no âmbito da rede social YouTube, considerando as estratégias de distribuição de informações nas resenhas publicadas nesse ambiente virtual. Teoricamente, apoiamo-nos, principalmente, no que se concerne ao processo de reelaboração de gêneros nas redes sociais (ARAÚJO, 2016). Além disso, partimos do instrumental analítico chamado Create a Research Space (CARS), proposto, inicialmente, por Swales (1984), para o estudo da organização de introduções de artigos científicos, posteriormente utilizado por Motta-Roth (1995) e outros autores para o estudo da resenha acadêmica. Partindo de uma metodologia de cunho etnográfico, reunimos 10 resenhas produzidas por usuários desse ambiente virtual, os chamados booktubers. A análise dos dados nos mostra que, apesar de muitos moves e subfunções que compõem a resenha acadêmica se manterem nessa realização do gênero, novas unidades retóricas, porém, aparecem nas resenhas, o que demonstrou a necessidade da reelaboração da sua organização retórica para contemplar o ato de resenhar no YouTube.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Júlio Araújo, Universidade Federal do Ceará

Professor e pesquisador no Programa de Pós-Graduação em Linguística e no Departamento de Letras Vernáculas da Universidade Federal do Ceará, Brasil.

Francisco Rogiellyson da Silva Andrade, Universidade Federal do Ceará

Doutorando em Linguística pelo Programa de Pós-Graduação em Linguística da Universidade Federal do Ceará, Brasil.

Janyele Gadelha de Lima, Universidade Federal do Ceará

Doutoranda em Letras pelo Programa de Pós-Graduação em Literatura Comparada da Universidade Federal do Ceará, Brasil.

Referências

ARAÚJO, A. D. Lexical signalling: a study of unspeci c-nouns in book reviews. 1996. Tese (Doutorado em Linguística Aplicada) – Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis.

ARAÚJO, A. D. O gênero resenha acadêmica: organização retórica e sinalização lexical. In: BIASI-RODRIGUES, B.; ARAÚJO, J. C.; SOUSA, S. C. T. (Org.). Gêneros textuais e comunidades discursivas: um diálogo com John Swales. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2009, p. 77-93.

ARAÚJO. J. Os chats: uma constelação de gêneros na Internet. Tese (Doutorado em Linguística). Fortaleza: Universidade Federal do Ceará, 2006.

ARAÚJO, J. Reelaborações de gêneros em redes sociais. In. ARAÚJO, J.; LEFFA, V. Redes sociais e ensino de línguas: o que temos de aprender? São Paulo: Parábola Editorial, 2016, p. 49-64.

ARAÚJO, J. Constelação de gêneros: a construção de um conceito. São Paulo: Parábola, 2021.

ARAÚJO, J. C. et al. O ato de resenhar no Skoob. Letras em Revista, Teresina, v. 9, n. 01, jun. 2018, p. 107-118. Disponível em: <https://ojs.uespi.br/index.php/ler/article/view/132>. Acesso em: 03 mar. 2020.

ARAÚJO, J.; SOUSA, M. M. N.; CAVALCANTI, J. M. Comunidade discursiva e redes sociais: os resenhadores do Skoob. Revista Intercâmbio, v. 45, n. 1, p. 28-51, 2020.

BAKHTIN, M. Estética da criação verbal. Tradução de Maria Ermantina Galvão G. Pereira. 2. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1997.

BEZERRA, B. G. A resenha acadêmica em uso por autores proficientes e iniciantes. In: BIASI-RODRIGUES, B.; ARAÚJO, J. C.; SOUSA, S. C. T. (Org.). Gêneros textuais e comunidades discursivas: um diálogo com John Swales. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2009, p. 95-115.

COSTA, R. R.; COSTA, S. M. Corpos em campo: performance, visibilidade e impermeabilidade na apresentação do self de jogadores de futebol no Instagram. Linguagem & Ensino, Pelotas, v.17, n.3, p.677-704, set./dez. 2014.

GEERTZ, C. A interpretação das culturas. Rio de Janeiro: LTC, 1989.

HYLAND, K. Disciplines and discourses: social interactions in the construction of knowledge. Pearson Education Limited, 2000.

HYLAND, K. Academic discourse: English in a Global Context. London: Continuum, 2009.

LEMKE, J. L. Letramento metamidiático: transformando significados e mídias. Trabalhos em Linguística Aplicada, Campinas, v. 49, n. 2, p. 455–479, 2016. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/tla/article/view/8645275. Acesso em: 26 jun. 2021.

LIMA, J. G. et al. Reelaboração do gênero resenha no YouTube. In: LIMA, J. A. de. et al. Atas do IV Encontro Internacional de Jovens Investigadores – JOIN 2018. Açores: Universidade dos Açores, 2018, p. 520-529.

MAINGUENEAU, D. Análise de textos de comunicação. Tradução de Cecília P. de Souza-e-Silva e Décio Rocha. São Paulo: Cortez, 2001.

MOTTA-ROTH, D. Rhetorical Features and Disciplinary Cultures: a genre-based study of academic book reviews in linguistics, chemistry and economics. 1995. 356 f. Tese (Doutorado em Linguística Aplicada) – Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 1995.

NAVAS, E. Regressive and Reflexive Mashups in Sampling Culture. In: SONVILLA-WEISS, S. (Ed.). Mashup Cultures. Wien; New York: Springer, 2010. p. 157-177.

ROJO, R.; MOURA, E. Letramentos, Mídias, Linguagens. São Paulo: Parábola, 2019.

SOUSA, S. C. T. de. Gênero textual e comunidade jornalística. São Paulo: Blucer Acadêmico, 2012.

SWALES, J. M. Research Into the Structure of Introductions to Journal Articles and its Application to the Teaching of Academic Writing. In: WILLIAMS, R.; SWALES, J; KIRKMAN, J. Common Ground: shared interests in ESP and communication studies. ELT Documents 117, 1984.

Downloads

Publicado

2021-12-31

Como Citar

ARAÚJO, J.; ANDRADE, F. R. da S.; LIMA, J. G. de. Videorresenhas do Booktube: uma análise da organização sociorretórica desse gênero. Trabalhos em Linguística Aplicada, Campinas, SP, v. 60, n. 3, p. 853–864, 2021. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/tla/article/view/8663982. Acesso em: 17 ago. 2022.