Acima de tudo, que a escola nos ensine. Em defesa da escola de surdos.

Palavras-chave: Escola. Educação de surdos. Experiência. Movimento surdo.

Resumo

A luta é condição da existência surda. Em maio de 2011, surdos de todo o Brasil saíram às ruas em defesa da escola de surdos. Foi um movimento sem precedentes em nosso país. Mobilizados, os intelectuais surdos redigiram uma carta ao Ministro da Educação.  Em sintonia com seu tempo, eles afirmavam o direito à educação que atendesse às suas especificidades linguísticas e culturais. A mobilização em defesa da escola ocupou as ruas quando era iminente a ameaça do fechamento do Instituto Nacional de Educação de Surdos (INES). Na carta, os surdos concordavam que crianças e jovens com deficiência deveriam estar na escola, mas discordavam que a escola inclusiva fosse o único e melhor espaço para que os alunos aprendessem. Diante dos discursos pró-inclusão, eles afirmavam quererem conviver com os demais cidadãos brasileiros; porém, acima de tudo, queriam que a escola ensinasse. A partir dos Estudos Foucaultianos articulados aos Estudos Surdos em Educação, propõe-se analisar documentos e narrativas surdas em defesa da escola de surdos. Para tanto, parte-se do entendimento da surdez como experiência de subjetivação constituída, entre outros atravessamentos, pela escola e pelos exercícios de liberdade e de convivência surda entre surdos na escola.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Maura Corcini Lopes, Universidade do Vale do Rio dos Sinos - UNISINOS
Professora Titular do Centro 1, do PPG-Educação e Decana da UNISINOS.
Alfredo Veiga-Neto, Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS
Professor Titular do Departamento de Ensino e Currículo e do PPG-Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Referências

BRITO, Fabio Bezerra de. O movimento social surdo e a campanha pela oficialização da língua brasileira de sinais. Brasil. 2013. 276 f. Tese. (Tese em Educação). Programa de Pós-Graduação em Educação, Universidade de São Paulo (USP). São Paulo, SP: 2013.

CAMPELLO, Ana Regina; REZENDE, Patrícia Luiza Ferreira. Em defesa da escola bilíngue para surdos: a história de lutas do movimento surdo brasileiro. Educar em Revista, Curitiba, PR: 2014. n. 2, p. 71-92.

CASTRO, Edgardo. Vocabulário Foucault. Belo Horizonte, MG: Autêntica, 2009. 478p.

DAVIS, Lennard. Enforcing normalcy: disability, deafness, and the body. London; New York: Verso, 1995. 203 p.

FOUCAULT, Michel. O retorno da moral. In: FOUCAULT, Michel. Ditos e escritos V. Rio de Janeiro, RJ: Forense universitária, 2004. p. 252-263.

FOUCAULT, Michel. A hermenêutica do sujeito. São Paulo, SP: Martins Fontes, 2004. 680 p.

FOUCAULT, Michel. A filosofia analítica da política. In: FOUCAULT, Michel. Ditos e Escritos V. Rio de Janeiro, RJ: Forense Universitária, 2004c. p. 37-55.

FOUCAULT, Michel. O governo de si e dos outros. São Paulo, SP: WMF Martins Fontes, 2010. 380p.

LOPES, Maura Corcini; MORGENSTERN, Juliane Marschall. Inclusão como matriz de experiência. Pro-posições. Mai./ago. 2014 v. 25, n. 2 (74). p. 177-193.

LOPES, Maura Corcini; THOMA, Adriana da Silva. Subjectivation, normalisation et constitution de l’éthos sourd: politques publiques et paradoxes contemporains. La nouvelle revue de l’adaptation et de la scolarisation, Paris, 2013. n. 64, p. 105-116.

LOPES, Maura Corcini; VEIGA-NETO, Alfredo. Marcadores culturais surdos: quando eles se constituem no espaço escolar. Perspectiva, Florianópolis, SC: 2006. v. 24, n. especial. p. 81-100.

MASSCHELEIN, Jan; SIMONS, Maarten. A pedagogia, a democracia, a escola. Belo Horizonte, MG: Autêntica, 2014. 237 p.

MASSCHELEIN, Jan; SIMONS, Maarten. Em defesa da escola. Uma questão política. Belo Horizonte, MG: Autêntica, 2013. 174 p.

ROCHA, Solange Maria da. Antíteses, díades, dicotomias no jogo entre memória e apagamento presentes nas narrativas da história da educação de surdos: um olhar para o Instituto Nacional de Educação de Surdos (1856/1961). Brasil. 2009. 160 f. Tese (Tese em Educação). Programa de Pós-Graduação em Educação, Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, RJ: 2009.

SACKS, Oliver. Apresentação. In: CAPOVILLA, Fernando César; RAPHAEL, Walkiria. Dicionário enciclopédico ilustrado trilíngüe da Língua de Sinais Brasileira. 2 ed. vol. 1, São Paulo, SP: Edusp. 2001.

THOMA, Adriana da Silva; KLEIN, Madalena. Experiências educacionais, movimentos e lutas surdas como condições de possibilidade para uma educação de surdos no Brasil. Cadernos de Educação, Pelotas, RS: 2010. v. 1, n. 36, p. 107-131.

WIEVIORKA, Michel. A diferença. Lisboa, PT: FENDA, 2002. 241 p.

WITCHS, Pedro Henrique; LOPES, Maura Corcini. Educação de surdos e governamentalidade linguística no Estado Novo (Brasil, 1934-1948). História da Educação, Porto Alegre, RS: 2015. v. 19, n. 47, p. 175-195.

WITCHS, Pedro Henrique; LOPES, Maura Corcini. Surdez como matriz de experiência. Revista Espaço, Rio de Janeiro, RJ: 2015. v. 43, p. 32-48.

WITCHS, Pedro Henrique. A educação de surdos no Estado Novo: práticas que constituem uma brasilidade surda. Brasil. 2014. 110 f. Dissertação (Dissertação em Educação). Programa de Pós-Graduação em Educação, Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos). São Leopoldo, RS: 2014.

Publicado
2017-10-06
Como Citar
Lopes, M. C., & Veiga-Neto, A. (2017). Acima de tudo, que a escola nos ensine. Em defesa da escola de surdos. ETD - Educação Temática Digital, 19(4), 691-704. https://doi.org/10.20396/etd.v19i4.8648637